Turismo Cultural No Cariri: Geopark Araripe (Parte II)

Dando continuidade ao post anterior, vamos falar sobre as principais cidades que ficam no entorno da Chapada do Araripe, dentro da área do Geopark Araripe e que compõe o Cariri Cearense, nome dado em referência aos indígenas da Nação Cariri que viviam nessa  região no século XVIII, época em que começou a colonização do local. Falaremos sobre sua cultura, artes, tradições religiosas, atrações turísticas e demais atividades relacionadas a estas  populações.

A Nação Cariri

Nos séculos XVII e XVIII, na Chapada do Araripe viviam os índios cariris que foram encontrados por colonizadores portugueses na época do “ ciclo do couro”, vindos de Sergipe, Pernambuco e Bahia em busca de desbravar a região e tomar posse da mesma, como era costume da época.

Indios da Nação Cariri
Indios da Nação Cariri

Com estes vieram também missionários com a intenção  de catequizar os índios. Esse fato teria ocorrido por volta de 1730, conforme relatos em  documentos antigos. E é por essa época que se inicia a colonização da região, dando origem a vários povoamentos que mais tarde passariam a categoria de cidades.

Os Cariris foram uma nação indígena como muitas que viviam  naquela época, porém eles tinham uma particularidade em relação às outras nações: eram dóceis e até mesmo obedientes, fato que facilitou o aldeamento da região pelas Missões Catequizadoras.

Viviam em palhoças construídas com palhas de palmeiras. Retiravam da natureza uma abundante variedade de frutas, caças e pesca para sua alimentação. Também plantavam mandioca e milho, dos quais faziam  beijú, tapioca, canjica, cuscuz e outras iguarias que até os dias de hoje saboreamos.

O Cariri Cearense

Vamos conhecer um pouco das principais cidades que compõem o Cariri Cearense:

Crato

O município de Crato conta uma população de mais de 130 mil habitantes. Está localizado no sopé da Chapada do Araripe, na divisa com o estado de Pernambuco. Sua origem remonta ao ano de 1741, com o registro do aldeamento dos índios da nação Cariri no qual foi erguida uma pequena e humilde capela de taipa coberta de folhas de palmeiras.

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Crato- Cariri (vista aérea)

Esta capela foi dedicada à Nossa Senhora da Penha, e em seu redor foram sendo construídas casas pelos colonizadores que iam chegando ao local.

Por estar muito próxima a Chapada do Araripe, a cidade desfruta de clima úmido e agradável a maior parte do ano. Isso propiciou seu desenvolvimento econômico  tanto na área agrícola com a produção de milho, mandioca, frutas, feijão, cana de açúcar, etc,  quanto na mercantilista, com a comercialização destes produtos bem como produtos de origem animal, por conta da criação de gado bovino e outros animais.

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Antiga Estação de Trem /Centro Cultural -Crato

Além disso, Crato oferece grande potencial turístico-cultural, apresentando diversas alternativas como por exemplo turismo ecológico, turismo de aventura com a prática de esportes radicais, turismo histórico (Geopark Araripe) e um grande número de manifestações artísticas e folclóricas.

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Cachoeira no Crato

No mês de Julho é realizada a maior feira agropecuária do Ceará – a ExpoCrato, que  concentra uma grande quantidade de animais, produtos agrícolas e equipamentos ligados à essas atividades. Nessa feira são apresentadas comidas típicas, bem como existem apresentações artísticas locais e nacionais, chegando a reunir por noite mais de 35 mil pessoas. Sua duração é de oito dias.

Juazeiro do Norte

O município de Juazeiro do Norte possui uma população de mais de 300 mil habitantes. É a maior cidade da região do Cariri, na área do Geopark Araripe. Sua fundação como cidade deu-se em 1911, depois da separação da cidade do Crato.

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Juazeiro do Norte (vista aérea)

Em 1889,  uma beata do Padre Cícero teria tido sua hóstia transformada em sangue, após recebê-la  em comunhão das mãos do padre. A partir daí,  a notícia se espalhou e Juazeiro transformou-se em centro de peregrinação e Padre Cícero passou a ser considerado santo pelo povo.

Padre Cícero foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte.  A cidade é o terceiro maior polo religioso do Brasil, chegando a receber  anualmente mais de 2 milhões de romeiros oriundos dos vários estados do Nordeste, em busca de pagar promessas ao ” Padim Ciço” como Padre Cícero é chamado pelos romeiros.

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Estátua de Padim Ciço

O crescimento populacional rápido deveu-se ao grande número de romeiros que vieram pagar promessas e foram ficando na cidade. Sua população é composta por pessoas de todos os estados do Nordeste.

Um fato curioso é que em Juazeiro muitas pessoas têm o nome de Cícero ou Cícera em homenagem ao Padre Cícero.

Os locais para visitação são praticamente de cunho religioso, como a Colina do Horto, onde está a estátua de Padre Cícero, o Museu Vivo, o Santuário do Coração de Jesus, a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, o Memorial Padre Cícero, onde estão os objetos usados pelo padre, entre outros lugares.

Barbalha

A origem do município de Barbalha começou no século XVIII, com a chegada dos colonizadores e catequistas das Missões que fundaram uma capela em homenagem a Santo Antônio e cujo aldeamento começou após a catequese dos índios Cariris.

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Igreja de S. Antônio (Matriz)- Barbalha

O nome Barbalha originou-se do nome de uma moradora que abrigava viajantes entre Crato e Missão Velha no final do século XVIII. Seu nome original era Freguesia de Santo Antônio de Barbalha, com o passar do tempo ficou somente Barbalha.

É a terceira cidade do Cariri em população com mais de 50 mil habitantes. Sua atividade econômica principal é o turismo ecológico e a festa do Pau da Bandeira, em homenagem a Santo Antônio, o padroeiro da Cidade. Durante uma semana de festa, a cidade chega a triplicar a população devido a grande quantidade de pessoas que vêm de outras cidades para participar das comemorações.

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Festa do Pau da Bandeira – Barbalha

Esta festa acontece no mês de junho e já faz parte do calendário turístico-religioso-cultural do Cariri e por que não dizer do estado do Ceará.

Outra atração da cidade é o Balneário do Caldas, com várias nascentes de águas termais transformadas em piscinas e  muito frequentado por moradores e visitantes.

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Balneário do Caldas – Barbalha

Missão Velha

Com uma população acima de 35 mil habitantes, Missão Velha, tem esse nome exatamente por causa das antigas expedições colonizadoras e catequizadoras do século XVIII, quando uma ordem dos frades capuchinhos fundou sua base no Sítio Cacheira e lá iniciou o trabalho de catequização dos indígenas. Por conta de uma grande seca, a missão foi transferida para o Sitio Santo Antônio formando um novo aldeamento com o nome de Missão Nova.

Cachoeira de Missão Velha
Cachoeira de Missão Velha

Missão Velha possui grande potencial turístico geológico e histórico-cultural, com diversos atrativos naturais e grande concentração de fósseis paleontológicos. Seus antigos engenhos de cana de açúcar, as primeiras edificações construídas no século XVIII e os sítios arqueológicos com resquícios dos índios que habitavam a região, são locais que merecem ser visitados, além do rico artesanato em argila, palha, couro e madeira.

Nova Olinda

A pequena Nova Olinda era conhecida como Sítio Tapera na época de sua origem no século XIX. Foi elevada a categoria de cidade em 1957. Conta atualmente  com uma população estimada em torno de 15 mil habitantes.

A pequena cidade tem boas opções de turísticas, principalmente o turismo ligado a  natureza, como visita aos sítios arqueológicos como a Ponte de Pedra com trilhas, artesanato em couro e folclore.

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Ponte de Pedra – Nova Olinda

Quem visita a cidade precisa conhecer a arte do senhor Expedito Seleiro, um dos maiores mestres na arte de trabalhar o couro na região do Cariri, fazendo desde sandálias, bolsas, carteiras, chapéus, gibões (roupa de couro usada pelos vaqueiros para se proteger dos espinhos da caatinga na pega de boi desgarrado) e selas para montaria- daí o nome “Seleiro”.

Outra opção é conhecer  a Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, uma ONG criada com o objetivo de preservar a cultura local, resgatando e preservando os achados arqueológicos dos índios Cariris, desenvolver e capacitar crianças e jovens para o empreendedorismo e sustentabilidade, gerando renda para as famílias envolvidas no projeto.

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Fundação Casa Grande

O prédio da Fundação é do século XVIII e era  a Casa Grande de um engenho de cana de açúcar. Vale uma visita para familiarizar-se e apoiar este grandioso projeto.

Santana do Cariri

A  antiga localidade de Brejo Grande tem sua origem no final do século XVIII, quando colonizadores vindos da Bahia se estabeleceram às margens do riacho Brejo Grande, hoje Rio Cariús.

Como as condições das terras eram favoráveis a agricultura e pecuária, atraiu novos moradores e o lugar foi crescendo rápido e com isso, foi construída uma capela em louvor à Senhora Santana, no local da atual Matriz. O povoado foi elevado a categoria de Vila em 1885. Atualmente Santana do Cariri tem uma população estimada em torno de 18 mil habitantes.

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Interior do Museu Paleontológico – Santana do Cariri

Conhecida internacionalmente como um dos lugares do mundo com maior quantidade de fósseis dos períodos jurássico e cretáceo entre 145 e 100 milhões de anos e em ótimos estados de preservação,  Santana do Cariri abriga o Museu de Paleontologia da URCA – Universidade Regional do Cariri, fato que atrai mais visitantes do que a quantidade de moradores do município.

O museu abriga mais de 7.000 peças fósseis datadas dos períodos jurássico e cretáceo. Réplicas dos fósseis podem ser adquiridas no museu. A cidade também produz artesanato com a temática paleontologia, feito dos mais diversos materiais, inclusive com restos das lavras de calcário abundante na região.

No Pontal da Santa Cruz, tem-se uma visão panorâmica do Vale do Cariri e da cidade de  Santana, além ser possível apreciar o mais belo por do sol da região do Cariri cearense.

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Vale do Cariri visto a partir do Pontal da Santa Cruz – Santana do Cariri

O  Cariri cearense é composto  por outras cidades que não estão relacionadas neste artigo, e as cidades que aqui aparecem são as que estão  mais  relacionadas ao Geopark Araripe, ou seja,  ao aparecimento de fósseis pré-históricos.

 

Onde ficar:

Todas as cidades possuem hotéis e pousadas, mas Juazeiro e Crato dispõem de melhores  estruturas  para receber os visitantes, com hotéis mais luxuosos.

Como chegar:

Via aérea

Partindo de Fortaleza, São Paulo ou Rio de Janeiro existem voos diários fazendo escala em Juazeiro do Norte.

Via terrestre

Partindo de Fortaleza siga pela BR-116 até Juazeiro do Norte. De Juazeiro existem linhas de ônibus fazendo o percurso para as cidades mencionadas.

Vale salientar que a distância entre Fortaleza e Juazeiro do Norte é de 560 km.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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